Tudo e isto …






Tudo e isto …


Tenho por costume sentir tanto
Como se nada viesse doutros tinos, o uso 
Que tento dar ao sentir como sentisse 
Real tectos falsos, estou reduzido

Ao que sinto, sentindo tão pouco
Embora tanto, mas tampouco são
É o pensar que muda fácil, descalço-me
E subo os veios duma figueira-brava,

Não é inteligência nem puro raciocínio
Este jogar de cartas fácil por debaixo
Da mesa, são antes os dados da roleta, 
A raiz em números desta ilusão de dizer

Certas coisas que sinto como água benta
Correndo mil vezes mais lenta nas veias
Que chuva de parafina quando cai à vista
Fixa ao pensamento, se é que ele existe

Apenas porque o tento alcançar tanto,
Causa perdida tara breve, mentira, 
Embuste, simbiose, ficção que parece 
Quase graça mas faz lembrar maldição

Ou a guerra dos sentidos de encontro
Às paredes do estômago, mais-valia eu ter
O enjoo do alto mar em vez de sentir tudo 
E isto …




Joel Matos (02/2017) 

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Continua ...



Continuarei a sentir sem coração nem veias,
Continuarei a ouvir o coração nas orelhas
Sem tê-las na cabeça, ambas e parelhas,
Continuarei faça o que faça pra acabar
O arder desta fogueira que arde sem queimar
E sem me acabe de vez o ardor que é viver
Sem ter o coração atrás da orelha bamba,
Nem ouvir meu respirar através da cabeça,
Sem nas dos outros todos encontrar o coração
Que me falta ou que não sinto, a meias como hoje,
Continuarei a sentir o preço preso ao colarinho,
Como um ritual colado no rosto prolongando
A parede branca do sentir que não tenho 
Nas veias, nem remédio pro que sou e sirvo,
A meias com todos em pensamentos e expressões
E no meu íntimo…

Grandes eram os tempos e os céus, gigantes.






Lembro bem de olhar o céu fixo e ficar contente
Era pequeno e brincava ao berlinde e ao pião
Fazia na areia castelos, fossos e o oceano pensava-o
Infinito como tudo do que era eu íntimo no verão

Como o céu de tom pastel e o meu tempo de menino
Contente por haver mundo e ver tudo que fosse
O lado bem do sonho, lembro também de olhar
No céu o limite e ter o tempo a durar pra sempre,

Parecendo grande, grande assim os meus desejos 
De menino contente por ser do pino do verão dono
E do céu o vigilante era eu das muitas estrelas
Que caíam na minha imaginação como os berlindes

E um pião, pião sem guita rodopiando como o mundo,
Inconsciente eu, dele e do meu rumo de gente
Grande, grandes eram os tempos e os céus gigantes ...
Lembro bem de olhar o céu e ficar contente



Jorge Santos (01/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com




Outono


























Sou governador de todas as derrotas,
O General desleal que a batalha perde,
Antes da guerra se anunciar na frente
De combate, um pedaço da muralha

De Jerusalém lá onde Abraão se lembrou
Ser pai dos judeus e arauto do Holocausto,
Genocídio de mim dentro e manso lamento,
Como manda aos vencidos lamber lento

As feridas , por certo sou o governador
Decretado para a derrota do Japão na guerra
Do Império,o "lambe-botas" de mim mesmo,
Flectido perante o "cabo-da-tola-esperança"

E o Adamastor do reino da intempérie,
Escuro, inquieto, que só me traz sofrimento ...
Em uma barca com varizes de lenho,
Passeei a renuncia, paralelo ao que os olhos vêm,

Bandeiras amarelas, sem a posologia no rótulo,
Nada sei para o caso de virem perguntar,
Reduzo-me ao, "sem saber como", sou governador
Da própria alma ou ela não precisa

Da prestação do mandato que trago comigo,
De momento não importa,
O que é inevitável é perder a guerra,
Ruidosamente e em força...






Joel matos (16/09/2015)
http://joel-matos.blogspot.com




















































Eu me amarro para saber se estou a amar
E que não voa o amor que dôo, amarro até à morte
Estas letras que doem de tanto aperto que dou
Às amarras que o ar meu permite, no presente

Eu me amarro de vento e se um não bastar
Dos quatro e das maiores tempestades que acho
E com as quais rompo os estendais alheios,
Lambo os convés dos cargueiros amarrados,

Escancarados no cais do "esperar tempo demais",
Eu me amarro para saber se estou a amar
Ou sou um ignorante astronauta de sensações,
Oco do amor que tanto amarro como aperto

Contra este peito lasso de paixões que não sabe
Se ama e senão, porque dói tanto que atado
Não chega e o ar não se prende nem mesmo atando
O Prazer de amar sem mando como eu amo a vida,

A dor do prazer e o presente, amanhã passado,
Amansado e rente ao chão, amarrado à morte
Corrente, avassaladora, eu não, eu não sou quem,
Eu me amarro aos elementos mais agrestes da Terra,

Às mais profundas raízes deste mundo.
Me amarro de intenções, algumas erradas, outras certas,
Certo é que o vento muda de A a B, de lugar,
Mas o instinto não, o instinto é certo como o que sinto,

E eu me amarro...




Joel Matos (16/09/2015)
http://joel-matos.blogspot.com