Continua ...
Continuarei a sentir sem coração nem veias,
Continuarei a ouvir o coração nas orelhas
Sem tê-las na cabeça, ambas e parelhas,
Continuarei faça o que faça pra acabar
O arder desta fogueira que arde sem queimar
Continuarei a ouvir o coração nas orelhas
Sem tê-las na cabeça, ambas e parelhas,
Continuarei faça o que faça pra acabar
O arder desta fogueira que arde sem queimar
E sem me acabe de vez o ardor que é viver
Sem ter o coração atrás da orelha bamba,
Nem ouvir meu respirar através da cabeça,
Sem nas dos outros todos encontrar o coração
Que me falta ou que não sinto, a meias como hoje,
Sem ter o coração atrás da orelha bamba,
Nem ouvir meu respirar através da cabeça,
Sem nas dos outros todos encontrar o coração
Que me falta ou que não sinto, a meias como hoje,
Continuarei a sentir o preço preso ao colarinho,
Como um ritual colado no rosto prolongando
A parede branca do sentir que não tenho
Nas veias, nem remédio pro que sou e sirvo,
A meias com todos em pensamentos e expressões
Como um ritual colado no rosto prolongando
A parede branca do sentir que não tenho
Nas veias, nem remédio pro que sou e sirvo,
A meias com todos em pensamentos e expressões
E no meu íntimo…
Grandes eram os tempos e os céus, gigantes.
Lembro bem de olhar o céu fixo e ficar contente
Era pequeno e brincava ao berlinde e ao pião
Fazia na areia castelos, fossos e o oceano pensava-o
Infinito como tudo do que era eu íntimo no verão
Como o céu de tom pastel e o meu tempo de menino
Contente por haver mundo e ver tudo que fosse
O lado bem do sonho, lembro também de olhar
No céu o limite e ter o tempo a durar pra sempre,
Parecendo grande, grande assim os meus desejos
De menino contente por ser do pino do verão dono
E do céu o vigilante era eu das muitas estrelas
Que caíam na minha imaginação como os berlindes
E um pião, pião sem guita rodopiando como o mundo,
Inconsciente eu, dele e do meu rumo de gente
Grande, grandes eram os tempos e os céus gigantes ...
Lembro bem de olhar o céu e ficar contente
Jorge Santos (01/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
Outono
Sou governador de todas as derrotas,
O General desleal que a batalha perde,
Antes da guerra se anunciar na frente
De combate, um pedaço da muralha
De Jerusalém lá onde Abraão se lembrou
Ser pai dos judeus e arauto do Holocausto,
Genocídio de mim dentro e manso lamento,
Como manda aos vencidos lamber lento
As feridas , por certo sou o governador
Decretado para a derrota do Japão na guerra
Do Império,o "lambe-botas" de mim mesmo,
Flectido perante o "cabo-da-tola-esperança"
E o Adamastor do reino da intempérie,
Escuro, inquieto, que só me traz sofrimento ...
Em uma barca com varizes de lenho,
Passeei a renuncia, paralelo ao que os olhos vêm,
Bandeiras amarelas, sem a posologia no rótulo,
Nada sei para o caso de virem perguntar,
Reduzo-me ao, "sem saber como", sou governador
Da própria alma ou ela não precisa
Da prestação do mandato que trago comigo,
De momento não importa,
O que é inevitável é perder a guerra,
Ruidosamente e em força...
Joel matos (16/09/2015)
http://joel-matos.blogspot.com
Eu me amarro para saber se estou a amar
E que não voa o amor que dôo, amarro até à morte
Estas letras que doem de tanto aperto que dou
Às amarras que o ar meu permite, no presente
Eu me amarro de vento e se um não bastar
Dos quatro e das maiores tempestades que acho
E com as quais rompo os estendais alheios,
Lambo os convés dos cargueiros amarrados,
Escancarados no cais do "esperar tempo demais",
Eu me amarro para saber se estou a amar
Ou sou um ignorante astronauta de sensações,
Oco do amor que tanto amarro como aperto
Contra este peito lasso de paixões que não sabe
Se ama e senão, porque dói tanto que atado
Não chega e o ar não se prende nem mesmo atando
O Prazer de amar sem mando como eu amo a vida,
A dor do prazer e o presente, amanhã passado,
Amansado e rente ao chão, amarrado à morte
Corrente, avassaladora, eu não, eu não sou quem,
Eu me amarro aos elementos mais agrestes da Terra,
Às mais profundas raízes deste mundo.
Me amarro de intenções, algumas erradas, outras certas,
Certo é que o vento muda de A a B, de lugar,
Mas o instinto não, o instinto é certo como o que sinto,
E eu me amarro...
Joel Matos (16/09/2015)
http://joel-matos.blogspot.com
I Love...
I love going out of my way, beyond what I know, and finding my way back a few extra miles, by another trail, with a compass that argues with the map…nights alone in motels in remote western towns where I know no one and no one I know knows where I am, nights with strange paintings and floral spreads and cable television that furnish a reprieve from my own biography, when in Benjamin’s terms, I have lost myself though I know where I am. Moments when I say to myself as feet or car clear a crest or round a bend, I have never seen this place before. Times when some architectural detail on vista that has escaped me these many years says to me that I never did know where I was, even when I was home.”
― Rebecca Solnit, A Field Guide to Getting Lost
― Rebecca Solnit, A Field Guide to Getting Lost
(Ensaio sobre a mediocridade)
(Ensaio sobre a mediocridade)
Sinto uma estranha mas calma melancolia,
Sei o que é ser abjeto
e objecto ignorado, do saber geral, e da opinião de um público
Ingénuo, genérico e
pouco culto, mas num mundo de pessoas maioritário criativas, seria insuportável
conviver-se e a mediocridade é a média e a medida certa e necessária para que
haja equilíbrio social, infelizmente como em todos os nichos da natureza desde
as formigas, as abelhas aos grandes mamíferos e florestas de vários continentes
tropicais e de carvalhos seculares existem doenças, pragas e parasitas, facínoras
sociais locais e globais e outros bem mais nefastos ou seja medíocres malignos,
maus,
Quando aparece um ser humano inspirado, mágico
Druida, ou génio bom todos os medíocres conspiram contra ele, pois este promove
a evolução da espécie, da humanidade ou do rebanho, alcateia etc, são os espíritos
iluminados, enquanto os outros, medíocres, quer chefes ou simples povo, estúpido,
asseguram a solidez social do conjunto, da tribo, do estado ou da nação, muito embora,
de entre estes medíocres, se destaquem outros e alguns bem mais perversos, que gerem
o tecido social e controlam de forma maligna e em auto proveito, os obedientes servos
ou escravos e outros ainda, uma quadrilha de medíocres regulamentados,
amedrontados são uns o povo,e amedrontadores outro, com obrigações e
regulamentos, que fazem escrupulosamente respeitar pelo estatuto de força que a
autoridade judicial lhe compete e a mando destes a fazem acatar, alguns mesmo sabendo
estarem errados mas pactuam em defesa da estéril paz social e do conforto previsível.
Os galardoados
com prémios nobéis da economia, da literatura e da Ciência, não se tornam
ministros nem chefes de estado, apesar da sua genialidade, mas talvez sejam contratados
como assalariados bem remunerados, gado de magnifico porte e garbo, nalguma
grande multinacional da finança ou num banco mundial porventura o F.M.I.
Não pensemos que existe uma conspiração
salientada contra nós pensadores, ela é inerente a nossa condição de animais
sociais, sem esta condição, seria anárquico o nosso sistema social, embora a imbecilidade
para onde a nossa sociedade vai caminhando seja categoricamente escolarizada
desde a infância, nas escolas públicas para que o número de população assalariada,
acessível e disponível por magos salários seja uma curva bastante ascendente e
também por via dos “média” que estupidificam uma população que se não quer culta,
é ingovernável, incontrolável até.
Imaginemos uma abelha com um novo conceito arquitetónico
e conceptual de colmeia, é natural que o enxame se revolte contra o novo
construtor até pela sobrevivência do clã, que poderia não resistir ao lar, o
mesmo se passaria se uma obreira quisesse ocupar o trono da rainha, missão
impossível, geraria uma revolução e o caos social.
Mas um grupo de abelhas inquietas e sábias
haveria de revolucionar, do sabor do mel, à consistência do favo e toda a
sociedade se transformaria dentro da colmeia se fosse praticável.
Uma qualidade intrínseca de um ser humano é
ultrapassar-se a si próprio, inovar e criar, não existiria desenvolvimento sem
a criatividade, nem nada de novo desde a idade da pedra.
O conformismo permite-nos viver razoavelmente alegres,
isso é assegurado pela população medíocre dum certo estereótipo de conformismo de
que fazem parte os nossos governos e gestores públicos medíocres, talvez
malignos, donde raramente surge a genialidade em prol da comunidade ou a
criatividade produtiva, criaram apenas uma complicada rede institucional que
permite a imbecis estandardizados, gerir com organização quem trabalha estupidamente,
apropriando-se da riqueza produzida e das mais-valias destes para o benefício
de alguns poucos.
Essa a razão de tantos medianos, aclamando estupidamente
outros tantos medíocres, uma espécie de justificação de um “Status-Quo” que não
pode falir, toda uma sociedade desmoronaria perante a opinião de um só talento
de um só homem, de um revolucionário, há casos disso na nossa história mas os
idiotas da nossa sociedade não podem permitir que se repitam mais episódios de
clareza social e humana.
Um mundo de pessoas criativas e talentosas seria
insuportável, mas um mundo em que a criatividade é negada a todos tornar-se-á
também a curto prazo, num detestável mundo de fatos cinzentos e colarinhos
brancos, num lamaçal horroroso sem opiniões nem opções onde eu não quero estar.
Jorge Santos (11/2014)
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