Nem sei que torto vento...
A ideia de viajar seduz-me
Como um pecado,
Tenho os cheiros e sons a lembrarem-me
Em outro lado,
Como uma aragem fresca,
Que me invade quando penso
E é então que um torpor de Coca
Acalma este ardor intenso
E esta Sede de liberdade,
Mas continuo sedento
Por dentro, a intranquilidade
Confesso-a ao vento leste, lesto…
E no pensamento viajo…viajo
E no cansaço eu repouso,
Apesar d’o chão ser rijo
E distante da sede a agua e o poço,
A mudança das horas e dos dias
É uma penitência e um castigo,
Como se fossem estrangeiras,
As horas. O tempo cego
Está sempre presente, ausente o meu coração
Marujo sem porto, nem abrigo …
E no pensamento viaja a minha solidão,
Sem saber do torto vento que eu ainda persigo.
Jorge Santos (01/2012)
D'aqui até ao fim...é um pulo...
D'aqui até ao fim do mundo é um pulo…
Se eu disser que, na vida nada fiz, minto
Trago sempre comigo uma peça de pano
Que desdobro neste plano deserto
Quando paro, sendo raro é apenas para virar
De novo o caminho direito, (por vezes chato)
E acrescentar nele outro e outro ressalto
Pra quando salto, não vá este s’rasgar,
Porque d’aqui, até ao fundo é um mero salto,
Prefiro não pensar nisso, tampouco
Num vaso que nem parece caco, nem muito gasto.
Talvez sejam pensamentos de louco,
Mas a vida nunca me soube tanto a infinito
E seria melhor sentida, se não descresse do que sei,
E descrevesse umas linhas rectas nas curvas do meu desalento,
Com a serenidade que o meu espírito acresce,
Sobre a clareza, se acesa nem sei,
Nem esta m'engrandece...
Joel Matos (01/2012)
Manhã submersa
Sigo com
atenção todas as minhas estranhas sensações
Algumas,
como tortura docemente aceite
Outras
como um novo dia, sempre diferente.
Todas as
versões eu vejo de longe, mariposas gigantes
Como
gestos quedando-se nas janelas
Sem
continuação pra’lém delas.
Estou sem
forças pra desertar pra’lém d’mim
Pra
dizer a verdade, só a opinião dos outros me fez f’liz
Por isso
imito outras profissões do universo
Das quais
não abdico se a elas tudo me prende como visco
Como uma
ave que se balouça mansa no caniço
Sem ter
pr’onde abalar por ser já demasiado tarde…
Jorge
Santos (01/2012)
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