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Luzes...Acção (Bom ano de 2012)

Eu queria mirar assim meu por de sol real ou imaginado
E bebe-lo
Eu queria mergulhar no céu só pra pegar nesse vazio/cheio
De belo
Eu queria tirar o tule desse céu e usar na cara como véu ou breu
Mas meu...meu...meu
Eu queria migrar hoje pra voltar amanhã de novo e vê-lo
Bem cedo
Eu queria sorver as gotas de orvalho dos castanhos cedros
Ou dos seus imaginados raios ou verdes cabelos
Eu queria cegar ao vê-lo mas por fim chegar a ele primeiro
Que os outros e no corpo, tê-lo...tê-lo
Eu queria poder ser ave e voar por sobre todos eles
Eu queria ser belo assim com'ele, o sol
Mas sou pobre demais pra tê-lo na minha arte,no meu bolso no meu rosto
Ao escrever sobr'ele depois do sol deposto...

Jorge Santos





(O resto do monólogo...)


Aqui estou, sossegado, escondido,
Longe da vista e dos mistérios
Do existir, de tudo, do mundo.
Aqui estou, sem me fazer notar muito

Nos meus gestos duplicados.
Supondo ter sido tudo dito,
De quando enquanto fecho os olhos
E é num sonho branco que admito

Coabitar sozinho com a eternidade.
Neste inexplicável casulo,
Quase um Confessionário de padre,
Num sossego nulo…

 (O resto do monólogo... não irias entende-lo
Nem te servirei eu de consolo ou conselho)
Afinal nada de novo acontece neste mundo velho,
Eu continuo oculto, morando frente ao espelho.

Joel matos (12/2011)



quando me comovo...






Quando me envolvo na fractal distância,
Comovo-me como uma borboleta,

Que duvida de si própria;
Sinto-me envolvido
D’uma forma total, embora sem peso
E me lembro d’outra realidade

Que antes não era tão real.
Imagino-me alternando entre neve e incógnita
E o acaso depois governa no cair
O meu ser solvente.

Termino numa terra distante, em tarde branda,
Tento ignorar a presença aleatória
Da consciência;
Perdida que foi a Memoria da névoa.

Farei um poema quando nada restar de seu,
Num universo convicto,
Sem a emoção nem o claro segredo,
Mas cuja realidade revestida, lembrará um luminoso céu.

Quando me libertar, envolver-me-á numa nitidez,
Sem corpo nem espírito
E sossegará o movimento do universo
Com o bater d’asas d’uma simples borboleta…

Jorge Santos (12/2011)


Cycles


Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.


"Boulevard du Temple"


O  “Boulevard du Temple” de Louis Daguerre é uma foto muito conhecida, é considerada a primeira fotografia em que aparece uma figura humana.  A chapa de prata representa a “Boulevard du Temple”, fotografada por Duagerre a partir da janela do estúdio num momento agitado no meio-dia.  A avenida deveria estar repleta de pessoas e carruagens, as câmaras no tempo, necessitavam de um período de exposição extremamente longo, absolutamente nada dessa massa em movimento é visível.  Nada,  isto é…excepto uma pequena silhueta negra na calçada no canto inferior esquerdo da fotografia.  Um homem parou para engraxar os sapatos,  e deve ter parado por um bom espaço de tempo,  com a perna ligeiramente levantada para colocar o pé sobre a cadeira de engraxe.

“Ele não poderia ter imaginado melhor o Juízo Final.  A multidão de seres humanos  – (na verdade, toda a humanidade)  - está presente,  mas não pode ser vista,  porque o julgamento diz respeito a uma única pessoa,  uma única vida: precisamente este,  e não outro.  E o que que a vida, essa pessoa,  foi escolhido para fora,  capturado,  e imortalizada pelo anjo do Juízo Final - que também é o anjo da fotografia?  Ao fazer o gesto mais banal e comum, o simples gesto de engraxar os sapatos No instante supremo, o homem…cada homem,  é doado para todo o sempre pelo menor gesto E, no entanto, graças à objectiva fotográfica,  aquele gesto agora é cobrado com o peso de toda uma vida;  aquele momento insignificantes celebra e condensa em si o significado de uma existência inteira” …
(Giorgio Agamben, Profanações)

Tenho saudades de quase tudo
Sobretudo do que não esqueci…

Serra Mãe


LA mariposa volotea
y arde —con el sol— a veces.

Mancha volante y llamarada,
ahora se queda parada
sobre una hoja que la mece.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Yo tampoco decía nada.
Y pasó el tiempo de las mieses.

Hoy una mano de congoja
llena de otoño el horizonte.
Y hasta de mi alma caen hojas.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Era la hora de las espigas.
El sol, ahora,
convalece.

Todo se va en la vida, amigos.
Se va o perece.

Se va la mano que te induce.
Se va o perece.

Se va la rosa que desates.
También la boca que te bese.

El agua, la sombra y el vaso.
Se va o perece.

Pasó la hora de las espigas.
El sol, ahora, convalece.

Su lengua tibia me rodea.
También me dice: —Te parece.

La mariposa volotea,
revolotea,
y desaparece.

Transhumante Parte 3 /Diário de um Louco

por favor não mintas,
não leves a mal
mas não digas que me amas sequer,
quando eu escrever no muro de pedra e cal
do comentário rosa, local
sentirei então na pele
que sou anormal
se nem escrever sei
(vivi um dia... sem tema
e no outro mundo viverei sem enredo
nem vida...no necrotério do jornal)

por favor não me mintas sequer
pois as mentiras são como rugas
no papel... sem tréguas
são cegas ..sem critério..são meras
paredes de branca cal e pedra informal
não digas que me amas
sou apenas um tipo "normal"
que não quer que lhe mintam
(não leves a mal)

Jorge Santos 22/9 -2011