Strava

Serra Mãe


LA mariposa volotea
y arde —con el sol— a veces.

Mancha volante y llamarada,
ahora se queda parada
sobre una hoja que la mece.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Yo tampoco decía nada.
Y pasó el tiempo de las mieses.

Hoy una mano de congoja
llena de otoño el horizonte.
Y hasta de mi alma caen hojas.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Era la hora de las espigas.
El sol, ahora,
convalece.

Todo se va en la vida, amigos.
Se va o perece.

Se va la mano que te induce.
Se va o perece.

Se va la rosa que desates.
También la boca que te bese.

El agua, la sombra y el vaso.
Se va o perece.

Pasó la hora de las espigas.
El sol, ahora, convalece.

Su lengua tibia me rodea.
También me dice: —Te parece.

La mariposa volotea,
revolotea,
y desaparece.

Transhumante Parte 3 /Diário de um Louco

por favor não mintas,
não leves a mal
mas não digas que me amas sequer,
quando eu escrever no muro de pedra e cal
do comentário rosa, local
sentirei então na pele
que sou anormal
se nem escrever sei
(vivi um dia... sem tema
e no outro mundo viverei sem enredo
nem vida...no necrotério do jornal)

por favor não me mintas sequer
pois as mentiras são como rugas
no papel... sem tréguas
são cegas ..sem critério..são meras
paredes de branca cal e pedra informal
não digas que me amas
sou apenas um tipo "normal"
que não quer que lhe mintam
(não leves a mal)

Jorge Santos 22/9 -2011

Quão diferente de humano é ser gente

"Moro em minha própria casa
Não imito niguém
Rio-me de todos em mestres
Que nunca se riram de si"


Quão diferente de humano é ser gente

 que sei d'amar-te
é de tal-modo insensato
e incoerente que de facto
não sei se é falso ou fraude
o repto que deixo ou ouço
ou se o resto que m'arrasta dest'alma
 até marte e pr'alem, amar-te pra outra dimensão ,
não esta e não minha, se é fala só
e se não é meu o falso rasto
que fica nesta farsa
neste aparte nesta frase
nem sei se de facto a possa considerar rasto,
 eu só sei que sinto  parte dest'alma que s'evade da minha fraude, neste mundo em falso.
se deixei correr a minha mão dest'modo sei que foi um anjo que me guiou,anjo insensato
anjo humano, quão diferente de gente

Jorge santos

Deuses Mortos


São assim ocos, rudes, os meus versos,todos eles
com eles eu quis homenagear os céu vivos,lindos,
com eles eu quiz fazer um pacto com zeus e outros
foi no vento torto do Monte Olimpo
usei Rimas perdidas, vendavais dispersos,
tudo serviu de manifesto
posto em versos impios e incertos
Com que eu iludo os outros, com que minto!com que peco
são assim, ocos e rudes os meus versos
tão secos que nem vento do suão
tão sós que nem sinto a voz
pra falar com Deuses mortos
da paixão que não sinto nos meus pobres versos...

(J.S.)

Postais


falho tantos planos
que os meus enganos
se tornaram editais
e são meros postais 
distribuídos pelos correios
todos os fins d'ano de todos os anos
(pra evitar q'outros cometam os mesmos)

Gosto dos Silêncios Muitos,coisas... poucas

Gosto das coisas poucas e dos silêncios muitos,
habito os cimos
dos cumes das minhas vivências, são poucos
e intimos
os momentos em que peço devolvidos os sonhos
depois imito-os 
e muitos dos silêncios devolvo-os aos pinheiros
de neve com  píncaros brancos
ou aos caminhos (aos que chegarem primeiros)
e terrenos de névoa envoltos
e ao meu coração pra sempre solteiro de sentidos
vindos de longe muito... muito longe
e prenhe de multidões de barulhentos sonhos ,nem todos meus,
mas d'outros mundos 
d'outros monges cavaleiros ...caminhando ,caminhando,caminhando...



Jorge Santos