Estátuas e guaritas,estradas infinitas,dizei-me,
Dizei-me se na minha vida tudo é verde,
Se é verde a vida ,se é verde a s'trada que garimpo,
Se é verde o vinho , que sobeja na taça e a taça que verto , também é verde.
Se ver-te verde , azul ou vermelho é miopia,
Dizei-me estátuas garridas , lages e avenidas,torres,
Se vejo verdes , guaritas e torrões castanhos,torreões , castelos,
Quando verdes seriam teus olhos claros,e cabelos.
Verdes são meus sonhos guardados,verdes são minhas mãos,
Verdes os meus sonhos,verde , minha pele escamosa.
Verdes as minhas princesas à espreita,
Não têm olhos verdes nem castanhos ,são olhos
De todos os tamanhos ,seguem-me nos sub terminais,
No metro suburbano, nos subterrâneos ,nas masmorras,
Dizei-me princesas se verdes são meus olhos,
Escamosa minha pele e ventosas
Jorge Santos
Finjo que Fujo
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo,Não, Eu simplesmente sinto Com a imaginação,
Não uso o coração , não lamento o que não escrevo,
Nem sinto flores demais sair desta mão,
Desta raiva do não sentir, mais infiel no dizer que a mim,
Dizem que finjo ou minto no que risco,
Ou imito ,mas sinto um resto , de purpura seda,
Que me cobre a razão
E , pelo sim , pelo não,
Escrevo no correr da mão.
Jorge Santos
Sei
Sei que posso
passar por Aí e
levar um amigo,
um abraço
pendurado no pescoço e no braço
não é obrigatório gostar de poesia ,
mas ela está sempre presente ,
eu sei ,
sei que posso passar por Aí,
levar comigo o mais simples gesto ou palavra
que possuir, a pretexto de tudo e de nada,
ela pode ser desfraldada
como bandeira
ou arreada na haste da derrota
mas eu sei
que a podes levar contigo
e a posso trazer comigo,
no bolso,
por mais simples que seja ,
vale o esforço.
eu sei ,
eu sei que a palavra não é nossa
nem é gaga é nao é nada
se não for dada
e se não for verdade/mensagem ,
se não for leve
e ao mesmo tempo pesada.
Jorge Santos
passar por Aí e
levar um amigo,
um abraço
pendurado no pescoço e no braço
não é obrigatório gostar de poesia ,
mas ela está sempre presente ,
eu sei ,
sei que posso passar por Aí,
levar comigo o mais simples gesto ou palavra
que possuir, a pretexto de tudo e de nada,
ela pode ser desfraldada
como bandeira
ou arreada na haste da derrota
mas eu sei
que a podes levar contigo
e a posso trazer comigo,
no bolso,
por mais simples que seja ,
vale o esforço.
eu sei ,
eu sei que a palavra não é nossa
nem é gaga é nao é nada
se não for dada
e se não for verdade/mensagem ,
se não for leve
e ao mesmo tempo pesada.
Jorge Santos
Luz da Terra
A flor Silvestre
Para dormir desperta em Mãe-Terra
Na orla da floresta frágil d’azinheiras
Havia que permanecer de raízes por terras, nuas,
Admirar Vega em noites sofismadas
Na sombra vaga ,nas margens d’azinhagas,
Da grande serra do Risco.
E os fogos-de-santelmo vieram
Na noite terna (sem nuvens) despertar
O Homem da flor silvestre
Cansado de repetir-se.
A flor Silvestre d’aragem sem pressas
Sopra em trigos e searas perenes,
Selvas ainda densas
Sussurrará sempre uma mensagem
De fé da Terra-Mãe.
Jorge Santos
Prego Meu
O meu prego
É moscovita,
Num dia torce
Para a direita,
No outro não entorta
Nem a crista.
É bolchevique
E fundamentalista,
Rasputine e encapuzado,
Por vezes ,o prego,
Sente-se ilhota e desencantado,
Outras, um Lorca fuzilado,
O meu prego,
É artista , da cidade
Dos comediantes
E dos segredos,
Nem ele sabe ,
O que sussurram,
Nus ,em negros becos,
Escondidos,
Com medo
Dos sem dedos,
Os Espíritas.
O meu prego mendiga,
Mechas de cabelo,
Com o filho cego.
O meu prego,
Esconde-se na sebe
E nos rochedos,
Tem ego de elefante
E ADN de mostrengo,
È Moscovita.
Jorge Santos
linha Tua

Tem linha fina tua
E não caroço no pescoço esguiu ,
Tem corpo toque e abraço quente a pele,
De frente , túgida,
De longe ausente
Mas de repente em pele-de-galinha se presente
Como um caroço de pinha de linha fina ,esguiu ,tem ...
Jorge santos
farol do cabo
Farol do fim ao cabo,
No ritmo te pinto, No intimo te sinto,
No limo t'alindo,
No peito t'ageito,
No leme t'amarro,
No(in) finito te fito,
No seio te beijo,
No desejo ...nem sei se mexo,
Se toco,
Se agarro,
Se roço,
Se afloro,
Se me demoro ou se fujo de farol no cabo...no cabo.
Jorge Santos
Fr'águas Mil
No que sobeja d'águas Caim
E magos em prados e cutelos,
Até que um rio correndo
M'arrastou e despiu d’árvore ,
Me envolveu d’folhas ,
Protegeu do frio , no sobejo
D'fraguas fortes , caí protegido ,
Caíam de mim , arrastadas no borborejo
Da fonte e cresci defronte ela
(minha amante), a fonte era distante
Mas soube-me a sede.
Descobri-me dum pouco no mar semfim
O acordeão lânguido, ritmado,
Das ondas salgadas,
O saguão pintado,bruxelante,
Refúgio das horas fundas,
No sobejo de águas-furtadas
Jorge Santos
De regressar tenho

Acende-se uma luz vaga no bosque,
É para aí ,devagar , que vou.
Agita-se a ramagem ,no salgueiro,
Como por magico toque,
Pelo som, assim ,de manso , sou
Conduzido , como mariposo,
Acende-se uma vela ,devagar , na velha casa,
Cheiram os jardins a mimosas,
Do canteiro voa lenta a ave da noite,feiticeira,
Acende-se uma luz vaga , atrás da porta ,
É para lá , que vou , devagar , voando ,
Nada mais interessa,
Tudo em volta está imerso em mariposas,
Avanço de toque mágico,
E o som de asas preenche o espaço , numa claridade bela,
Acende-se uma luz na floresta,
virá alguém ?
Jorge Santos

Avesso ao Mundo
No Vendaval do fim do mundo, fim de tudo,
Onde meu pensamento vai morar,
No bico afiado do ouriço-do-mar,
Em torvelinho, no areal furibundo,
Me u coração insiste, não pára,
Pregado no corpo, apesar de negado
Por não o achar mais no prado fundo,
Nas ravinas do abismo, minha beira
De vácuo profundo e tristeza pousa
Breve em imponderável resma de papel
Almaço rasurado à pressa na mesa
Voa da janela no espaço sob a pele.
Turvo vemto torpe, galopas meu salmo
Sem rei nem roque; Leva-me para longe
Onde o areal ondeante e o mar seja calmo
Aqui, no canto estou e tudo me foge.
Dispersa, Ó vento , este corpo em cinza,
Imolado de cal e ira , em Saturno,
Venta , num peito sem veto e sem premissa
Como tu, vendo o nada e estou nu.
No vendaval do fim do mundo, fim de tudo
Ond’eu fui d’avesso morar, meu lar,
No côncavo mar, me deixa pois lembrar
Se aqui o meu lugar, longe e mudo
Jorge Santos

Sou daquelas almas
Que as mulheres dizem que amam,
E nunca reconhecem quando Encontram,”
Daquelas que, se elas as reconhecessem,
Mesmo assim não as reconheceriam.
Pra ser franco sinto perto uma linha que me divide
Entre o concreto e o metafísico, e uma dor extrema no peito.
“Sofro a delicadeza dos meus sentimentos,”
De alquimista e maquinista dos invernos
“Com uma atenção desdenhosa.
Como dos caracóis recolho-me e d’eles
“Tenho todas as qualidades,
Pelas quais são admirados os poeta românticos,
Mesmo aquela falta dessas qualidades, pela
Qual se é realmente poeta romântico.
Encontro-me descrito (em parte) em vários romances
Como protagonista de vários enredos;
Mas o essencial da minha vida, como da minha alma, é
Não ser nunca protagonista."
É antes ser autista quando preferiria ser artista e quiçá igual ao
Anarquista do conceito quando afinal sou grosseiro.
"O cais, a tarde, a maresia entram todos,
E entram juntos, na composição da minha angústia.
As flautas dos pastores impossíveis não são mais suaves
Que o não haver aqui flautas e isso
Lembrar-mas."
Lembrar-mas nos ermos que lasquei fascinado
Sem encontrar uma clave de Sol e os tesouros
Que valem ouros prosados e vícios fenícios.
Me levem daqui pós migrados de aves de voo
Tantas vezes replicado no sul.
Os paióis de minhas explosões são artefactos
Caseiros e artes que não detonam.
Sou sequelas d’almas com rasgado sorriso
Que se transmuta em ouriço
E parte para outro ofício , outra angústia.
Joel em PESSOA
El Perdon
No ceu da minha quase boca,
Quase seca,
Que a ponta de suas asas ,quase toca,
Na minha voz ,quase rouca
De meu corpo ,quase sem roupa
Em andrajos m'arrasgo, quase ,
N'alguma ruabeco sua, quase perto,
Devolvo-te ,quase por inteiro ,o meu almo certeiro,
O meu quase ,coração tinteiro,
O meu rosto ,envergonhado,quase por inteiro,
Leva, leve , quase litro e meio , do meu sangue,
E me escreve , com ele , em quase letras,
Em quase estrelas , do teu firme e quase sempre
Presente , firmamento,
Onde se cruza o vento,
com as estrelas e o tempo.
Jorge Santos
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