Strava

Lages calçadas

Amanhece ,D'Aquilino calçava descalço calçadas no espaço de sol-a-sol,intimidava-o a noite e a dor, a morte e o lençol branco,D'Aquilino calçava descalço calçadas no espaço do Calvário, nas cidades das folhas caídas entre uma e outra lage ,incomodava-o a chuva ,indiferente aos pés descalços do Bocage,Amanhece,D'Aquilino já não é calceteiro,descalço no lençol branco, seu corpo dislexico não mexe ,não crescem ervas entre as lages na calçada do Calvário ,Bocage já não sou,nem inquilino nem mestre deste corpo que não mexe,amanhece,D'Aquilino não aparece. Jorge Santos

Monumento de silencio

Cada monumento de pedra é atento e aparenta sair da bruma no Silencio,bebe-se nas espumas das espraias escumas,a cada momento o mito lírico pode viver sem medo e disperso na aparencia livre dos templos banidos (de pedras) , no sentido cromatico de uma verdade implacável,aí , ele tremia de medo do imperdoável em pergaminhos usados ,gastos. Tu ,tu aí e agora, sente a raiva doce, a fantasya de cal e pedra, a lagrima de saliva virulenta, sente a calma aparente que lateja encerrada nos labios virgens, sente,sente céus abertos livres ,sem sentidos proibidos,sem idolos de pedra e monumentos de calar,sem pátrias gastas,sem párias de silencios ,sem muros brancos,nem banidos de sentidos.Jorge Santos

não cesso de....

nao cesso de perder a coragem/ num corrimão de escada,/no elevador /tão perto de me perder /no cheiro a ti,/não cesso de roer as unhas /quando t'afundas nos corredores da escola/de perder o tino /quando me olhas tao de perto /não cesso de perder a calma nas malhas das tuas meias altas/ não cesso de viver incerto/ nas veias do teu pescoço /a minha frente no banco da classe/ onde me esqueço /e estou /se dentro do canteiro de jasmim /ou no espaço pertinho de ti/ sem coragem de te dar um abraço/não cesso de perder a coragem/ Jorge Santos

Algar

No Algar do candeeiro froxo (Arrimal)
o rosto tinha dentro o gosto a mosto e pedrais,
o brilho fosco e o sentido crítico do regato amainavam o acto ,
dum lago inscrito em semicírculo encerrado e baixo
,como se a luz escusa aprisionada fugisse devaga laiva,
amaina a salva,o musgo e acalma o som vago no algar do Arrimal.
( dedicado  á aldeia do Arrimal.) Jorge Santos

a luta entre a noite e o dia

Tagides Niil

são castanhos ,os ribeiros que Aquilino desenhou azuis, os salgueiros ao vento que Almada imaginou negreiros ,O Danúbio aí desaguou no Nilo e o Niilismo Afundou o Papiro velho onde Moisés e Ramsés trocaram devotos laicos,que poemas te podem descrever ,se as aguas não espelham mais o teu perfil egípcio ,apenas os heroglifos nos papiros ,navegam e brincam com os meninos Núbios e Líbios,vou fazer uma jangada de bamboo ,que seja mais perene e navegue até ao Nilo Azul. Jorge Santos



o meu rio se chama Cuiabá...onde garças brancas passeiam nos beirais e constróem ninhos nas margens,só pra beber da água doce.As cores da minha vida são de lá...de onde se vê a clareza do fundo e eu imagino um outro mundo,no fundo.

el perdon

olhos vagabundos

Professas e Colhes,
Com folhos os planetas e vagalumes
De acontecimentos deslumbrados
E atrelados a vagões/vagares sonhados de frases,
Pós magicos , sabores saberes
Ensina-me a meninar.

Na tua presença confesso que colho com os olhos vagabundos sonhos sonhados
Estrelados nos serões ,dormidos a meia lua,meia luz ,em lumes treluzentes e em vagões imergidos
Imaginados por gentes com frases todas diferentes
E Deuses Omnipresentes ,pós mágicos ,saberes.

 Jorge Santos

Amor Substantivo

Amor assim não tem fim ,
Tem quadro negro ardósia e letras em marfim,
Tem de tudo e enfim fico assim sentado escrevendo ,
Escrevendo kilos de substantivos e modos verbais ,
Amor assim não tem cais cataventos e virgulas ,
Amor assim é verbo é termo é centro de atenções
Amor assim já não existe senão quando vem aqui escarrapanchado no giz e no  negro
Onde escreviho e no mesmo  adivinho ,
Já que bruxo ser  eu e me abrunho ,
Desfaço-me em adivinhações e bruxulações ,
Amor assim não é de mim é decerto do golfinho que nada ainda nestas aguas azuis
Pro'verdoso ,já sem gosto a sal ,
Amor a todos e a ti pelo substantivo.

 JORGE SANTOS

achigã

As achigãs vivem no lagos e em barragens ,
Grandes ,vivas ,escondem-se nas ervas altas ,
É vê-las ,de Madrugada cedo ,
Respirar quase fora de agua
E fugirem á nossa presença ,
Já chega ,dizem elas quando passo
E lanço a cana e o anzol,
Vêm ao meu lençol rendado, branco de naufrago
Ou do luzerno do  farol faroleiro e se guiam até ao cesto ,
Levo-as para casa de lembrança ,
Coloco-as sob o candeeiro
Do quarto e fico olhando
Olhando as achigãs que viviam na barragem
E por lá nadavam,nadavam o dia inteiro.

Jorge Santos