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Sorrisos

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Regresso das Caravelas


Sei que a borboleta não sorri p'ra mim assim,

Sei que a borboleta não sorri para mim assim,só e só,
Mas gosto de pensar tal , gosto de pensar que vive só para meus labios ver balbuciar,
Que nem os simples mortais a podem ver , parar nos meus olhos,na minha boca tal,
Nos meus cabelos curtos , em todos os meus cheiros , em todos os meus  poros e cursos de agua,
Em todas as minha pedras e florestas ,gosto de imaginar que é uma fada , que me proteje,
Da intemperia e da media luz , dos medos e do troll,
Tem refugio no fundo do condado,sei que a borboleta é feliz embora não sorria só para mim.
Faz dos meus sonhos uma verdade,borboleta,sorri mais uma vez.

Jorge Santos

Um dia

Um dia , o vento
Tinha um cheiro indizível,
Audivel que nem o profeta , conseguia explicar ,
Nem era estético , nem era magico , era um cheiro , longinquo a ti,
Me deixava sentir dormente , fluente nas linguas todas,
Que não sabia contornar,
Era um versiculo e um verso , era um poema, era uma resma de sons ,
E o vento soprava,
Soprava , por oceanos planos e potentes , por  entre silabas e verbos diferentes ,

Um dia , o vento não se calou mais,
E o cheiro colou-se a mim , para não me deixar ter sossego,
Para , não mais , parar de escrever , com ele.

O vento , tinha um cheiro de hortelã e sertão,  a pimenta e mangericão,
Minha alma ,  ferrugenta , mais não aguenta , tal infusão.

Jorge Santos

Ttukunak (instrumental deTxalaparta)

Como soubes-te que estava aqui,
Escondido sob o reposteiro,
Do limoeiro ,
Sentiste sem dúvida o meu cheiro,
A pinheiro bravio,
E o meu calice frio de menta/minto
Ao cometa que te disse que estava de visita,
Nem por isso consigo ver-te,
Pela mata ,bonita de verde
Sob a frondosa Tília que plantei
Em tua honra na casa linda ,
Que é , teu coração,

Como soubes-te que queria a tua atenção,
 Mesmo escondido , nos pinheiros que partem,
 Depressa , para a serração
 E diga o que diga nem mais  param ,
As maquinas do tempo , numa aceleração recta,
Que a meta , vem depressa , mais depressa que supunha de ante-mão.

Jorge Santos

Ser de mim

O que quero ser,
Quando estiver reunido ,
Contigo na constelação do olimpo,
No mais limpo dos quartos ,
Tu menina e eu arlequim plantado,
Num vaso de jasmim de quadro pintado ,
E contigo d'estrofe não ser mais orfão ,
Na razão do ser.

Sei que não precisa responder
Porque tudo o que pensa soergue-se no cheiro do jasmim
E do jardim do eden.

Jorge Santos


Outono

Manda-me um mandala de papel,
Com a prima dela presa por um cordel,
 Na mesa e no corcel ligeiro
 Não va perder-se no papel e no ceu
 Manda-me o primo vero, primo
 Dele numa pomba num pastel
Com frame não me equeça a côr de cor
E pinte primavera fora de mim d'outras
 Cores que não essa ,
Vera e flores deveras belas ,
Amores renascidos calices partidos
 Mandalas de papel ,
Deves-me uma primavera fluida
Na minha tua vinda cá d'outro ano,
Primavera boa , primavera vá...vem já ,d'outonos tou tão só.

Jorge Santos