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Beco

Florença , fim de tarde , quasi notte,As mãos delas, unhas rebeldes em luz fosca de velas ,circulavam e rodopiavam ,dir-se-iam de plantão plantados em rua viela apagada e nocturna , as muitas videntes ,novas e velhas.
 À volta de bolhas de cristais translúcidos , mariposas esvoaçam enquanto sons abafados intangíveis criam uma atmosfera densa fragial no ritual de videntes da Florença  fim de tarde.
Jo avança , por entre aquela multidão que dança em rodas de bruxas , bruxos , alguns turistas e carteiristas italos , indiferente ; caminha , perante ele abre-se a porta da catedral renascentista da cidade ,convida-o um monge tapado a preceito a entrar ,ele olha para tras sobre os ombros ainda o monge não se tivesse enganado e pergunta-lhe susurrando: -quem ? eu? ao que o monge baixa a cabeça em sinal afirmativo.
 Os passos ecoam na Basílica ,o esvoaçar de uma coruja perto do altar e a luz pouca que se esgueira pelos vitrais penetram fundo no espírito de Jo,como se aquele segundo congelado jamais o abandonasse e o perseguisse fosse para onde fosse na demanda mística que se propusera anos antes.
Aquele segundo , tinha-o visto de soslaio nas auras de cristal da rua das videntes.
"o ouvido de deus"
(continua)

Jorge Santos

Forte e Ìndizivel

Quando ao toque forte rubor acresce ,
Cresce um nome indizível ,
 Nem os lábios o traduzem ,
E tão claramente bem vemos os símbalos sensíveis ,
O sonho ,dizem "comanda a vida",
Urge querer e amar os simbolos que deixamos ,
Quando abandonarmos este sonho magnífico,
Ficará o nosso cheiro a mato e o pensamento suave nestas paisagens bucólicas,
Aos nossos filhos e aos filhos dos nossas filhas,
O sonho de um dia talvez igual ao deles,
Para que não esqueçam o ontem ,
A vida eterna não existe ,
Mas um nome indízivel de agora nos lábios dos Homens do futuro poderá ser o nosso legado,
Um nome que todos esqueçemos no urgente do ainda agora ,
A essencia está no amor profundo à natureza ,
A Nós , ao nosso toque ruborizado a rubro em palete sensivel ao verde.

 Jorge Santos

Brilha uma saudade eterna

Brilha uma saudade eterna ,
Perene,transcende-me em um vício vínício de mais
E os maiores dos meus suspiros partem-me de manso o peito,
Estilhaçam-me vitrais e o coração de vidro e papoilas ,
Sinto já fronteiros os cravos e os cheiros de teus lânguidos beijos ,
Brilha na grisalha barba por fazer,uma saudade que impregna a pele de um vicio benigno ,
Meu vinho é voçê e se vinho aqui depois da vindima
É porque a adega não fechou nem ainda nem mais ,
Ha uma uva meio despida que dá um vinho que vibra ,
Merlot ,esse é o meu vinho e a minha vida ,
Como tranlúcidas asas amo a vida em esvoaçares de mariposas
Em torvelinhos de rosas ao meio-dia.

 JORGE SANTOS (sempre)

Flores d'areias

o coração/lago
escorre fininho,
na ampulheta-do-tempo
e desenha curvas na passagem
do vento,curvas no rumo de pensamento e no paladar
agoirento.Ai, no falar não tanto porque as palavras não têm gosto certo
e , em certo tempo , sinto palavras dentro promptas a saír , a todo o momento
e kilometros-de-areias-quentes nos corações jazzeu.

Jorge Santos

Pano Inclinado

AMANTES
Dois amantes felizes, não têm fim, nem mor te,
Nascem e morrem tanta vez, enquanto vivem,
Eternos, como a natureza, o seu dote
É o trapézio e o circo, malabaristas sem

Feira, com esteiros de brilhos, nos olhares,
Em restos de cometas e, sem eira nem beira
Escondem os cios, nos baldios e arredores,
Bêbados, cultivam contínua bebedeira.

Nas multidões, choram e riem a duas vozes,
Com tições e suor se perfumam, os amantes.
Orgasmos sem fim esganam de tal maneira
Que a morte, não tem ali nem artes, ou partes,

Nem deixas, quando chega, o fim da idade,
É pelos dois, que os sinos, tocam e rebatem,
Diz-se, na cidade, que os seus olhos brilhavam,
Cheios, da louca felicidade, que viveram,
Aqui, em toda a parte; e nasceram, outra vez.


Jorge Santos

espanto!

O espanto de uma criança,

Perante o sentido de liberdade,
O sorriso da tenra idade e depois,
No fim, tu hás-de ver, que as coisas mais leves, são as únicas,
que o vento não conseguiu levar,
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento.
esse cheiro que o vento traz e diz saudade
no despertar da esperança ,em ser de novo criança.

Lord Buddha

Às Vezes Tenho dias Felizes


Às vezes, tenho dias felizes,
Em ideias , nas palavras também,
Que naturalmente me perseguem,
Vidas de diferentes raízes,


Alinham-se-me todas na mente,
Sem uma só razão aparente
E grudam-se ao céu-da-boca,
Como a pastilha elástica,


Algumas são inconsistentes
E nem por isso surdos as ouvem
S’até entre linhas se dissolvem
E n’outros dias gregos, nem me tentes.


Às vezes tenho dias cinzentos,
Saídos dos contos, em remendos
D’ era uma vez e, ás duas por três,
Dou de caras com as mesmices

Alimentadas de bazófias,
Banhando-se nas pantanas brumas
Dos dias pretos do tanto me faz
Ser refrão d’alcatrão ou alcatraz

Às vezes tenho ditos fetiches
E dias rascas de sangue frio,
Outros nem em mim acredites,
Tenho dias que nem em mim confio

Tive outrora dias fieis,
Que regressam felizes nos sonhos
Em dias festivos delicados,
Mas dias feios foram mais.

Às vezes tenho seis dias f’ lizes
Com os céus sem pontas de ventos,
Outros uivos, matilhas de lobos
Ós’montes,irados ,sem estrofes.


Jorge Santos

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