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O travesti que encarnei
Era o demónio errado,
Morreu drenado e derramou vesículas
E pustulas de fígado,
Bêbado no telhado como um cão
Era o meu segredo,era eu,
O espelho me denunciou ,
Má ,a outra metade do inferno
Que de mim fez o que não sou ,
Sou Joel Matos ,eu.

Jorge Santos

The Rose and Bonifácio


"Voçê me dá sede" disse-lhe a Rosa
Sede ,sim de querer quebrar o ultimo castelo en/baralhado ,
Eu teria ficado desapontado se voçê não viesse
"Porquê ? se eu não viesse ? "fazes-me sorrir também,o sol oblíquo , de manhã lustra o cortinado e Imagino O teu rosto, " aí fica dia já ? "
O meu dia é dialogando e esperanto em crisâtemo numa chavena de chá,
" E a música do vento,voçê esqueceu ? "
Ele não sobra igual nem sempre crente em todas as margens ,
Levanta ondas , p'ra mim o vento é mudança de tempo ,
Pode ser tempestade ou bonança,
" Sim, é verdade,também eu o sinto na cara ,traz saudade quando me afaga "
Gosto que me diga aquilo " voçê tem pó mágico !"
M'imagino Bonifácio "o tresmalhado".

 Jorge Santos

Lost Priscilla



Da mão de Priscilla
Caía docemente um livro lido ,
Por entre os lençois de linho
Adivinhavam-se contornos
De searas ondulantes e dunas preguiçosas ,
"Boa noite" pensou ele
Enquanto lhe acariciava o rosto 
"Eu  vou-te amar esta noite quente
E ainda vou ouvir cantar a cotovia na madrugada dormente"
Pensou ,antes de adormecer.

No sonho ,ouviu-se
Uma canção ainda indiscrita ,
E uma rosa pousou
Fixamente nos cabelos de Priscilla ,
Dormia ,sonhava uma melodia incantata ,
Indizivel ,os labios semi/abertos com sons semi/cobertos ,
Um lençol cetim branco
Tranlúcido ,encantada ,
Encantava a cotovia,
No parapeito da janela entreaberta,
Num quarto algures , decerto semi-deserto ,
O amor floresceu sob o a romaneira,
Frente á janela ,lá em shang-ri-lá.

Jorge Santos